Nave da NASA entra na órbita de Júpiter

05 JUL 2016
05 de Julho de 2016

A nave espacial da NASA Juno tem de esquivar-se de detritos e de radiação extrema para tentar orbitar Júpiter, numa missão de alto risco com o objetivo de perceber as origens do sistema solar.

A nave espacial deverá chegar hoje às proximidades do maior planeta do nosso sistema solar, cinco anos depois de este observatório, não tripulado, movido a energia solar, ter descolado.

"Estamos a aproximar-nos de Júpiter a uma grande velocidade", afirmou Scott Bolton, principal investigador do Instituto de Investigação em San Antonio, no Texas.

Bolton admitiu sentir-se "nervoso e assustado" em relação ao destino da nave, que está a viajar a uma velocidade de mais de 130.000 milhas por hora (209.200 quilómetros por hora) em direção ao que é chamado "o rei do nosso sistema solar".

Uma das maiores preocupações da equipa responsável por Juno é a sua sobrevivência ao ser exposta aos níveis de radiação.

Heidi Becker, investigadora sobre os efeitos da radiação no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explicou que eletrões que estão a mover-se à velocidade da luz "podem atravessar uma nave espacial e separar os átomos dentro dos dispositivos eletrónicos e podem fritar o cérebro de um humano se não se fizer algo sobre isso".

A investigadora descreveu que, com essa preocupação em mente, foi criada uma espessa camada de titânio que protege os dispositivos, que protege os componentes eletrónicos e baixa a dose de radiação.

Becker relatou a aproximação que a nave terá de realizar e descreveu-a como "viajar para a parte mais assustadora do lugar mais assustador, o ambiente radioativo de Júpiter, onde nunca estiveram pessoas".

Juno tem também de evitar detritos enquanto estiver a passar por um dos cinturões de poeiras e de meteoritos que rodeiam o planeta.

"Se ela [a nave] é atingida, seja por um pedaço grande de poeira ou por um pedaço pequeno, isto pode causar danos muito graves", afirmou Bolton.

Se não conseguir entrar em órbita, Juno pode passar por Júpiter e deixá-lo para trás, acabando assim uma missão de 15 anos a cerca de 540 milhões de milhas (869 milhões de quilómetros) da Terra.

Segundo a NASA, a inserção em órbita desta nave espacial deve estar completa dia 05 de julho.

"Temos feito tudo que é humanamente possível para tornar esta missão num sucesso", declarou o diretor de ciência planetária da NASA, Jim Green.

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